COMUNICAÇÃO

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

THEODORICO BEZERRA FUNDADOR DA RÁDIO TRAIRI, POSTERIORMENTE TROPICAL E ATUAL CBN

Nascido no município de Santa Cruz-RN, em 23/7/1903, filho de José Pedro Bezerra e de Anna  Bezerra de Souza (Donana). Fez os primeiros estudos em sua terra natal. Em 1917 exercia o comércio, como ambulante, em princípio comprando e vendendo tudo, mas o negócio de couro é que tem maior expressão. Parou suas atividades quando foi servir o exército, mais precisamente no 21º Batalhão de Caçadores, em Natal, onde permaneceu de 1923 até 1924, quando chegou até a graduação de cabo. Por essa razão, ficou conhecido pela alcunha de “cabo”. O título de “major” apareceu depois, quando militava na política.
            Saindo do exército, comprou, juntamente com um amigo, um caminhão. Depois, vendeu sua parte e comprou, em Natal, o “Hotel dos Leões”. Aos poucos, foi comprando outros: “o Internacional”, “Avenida” e o “Palace Hotel”, até fixar-se definitivamente no ramo com o arrendamento do ‘Grande Hotel”, inaugurado em 13 de maio de 1939.
            Theodorico Bezerra, apesar de suas ‘numeras atividades, ficou conhecido sobretudo como algo que na realidade nunca deixou de ser: um coronel que emerge e se modela no trânsito entre o novo apogeu do coronelismo e seu rápido declínio. Projeta o perfil de um ‘novo coronel’ despido das características anteriores de truculência, jaguncismo, desacato às autoridades constituídas que lhe estorvassem os propósitos particulares ventindo-o de uma roupagem de porte mais ajustado ao figurino da época que transcorre: pacifismo, moradores desarmados, colaboração às instituições governamentais.
            Um dos traços fundamentais da personalidade de Theodorico Bezerra é o seu dinamismo. Sempre procurou diversificar suas atividades, sendo vencedor em todas elas. Como fazendeiro, chegou a criar um verdadeiro império: Irapuru, comprada no ano de 1928 – A fazenda compreendida entre os municípios de Santa Cruz, Tangará e São José de Campestre, tinha 14 hectares de extensão, foi adquirida por cercam de  12 contos de réis. Nessa fazenda possuía dois principais açudes do Estado – Trairi e Japi – viviam sob as asas do major Theodorico cerca de três mil pessoas que, segundo as regras por ele estabelecidas, deveriam andar na linha. No entanto, algumas de suas “normas”, conforme era possível observar em suas “cadernetas” – pois cada morador de Iarapuru tinha a sua – a regidez no trato com os trabalhadores.
            Algumas delas chegavam ao absurdo de exigir que os pais criassem os filhos sem que os primeiros, os pais pudessem aprender a ler e escrever, sob pena de serem expulsom da propriedade. No entanto, os moradores da fazenda eram obrigados a, como diziam as condições, “botar os filhos na Escola”. Na fazenda Iapuru, apesar das regidas regras de conduta estabelecidas pelo major Theodorico, as famílias obtinham participação naquilo que era produzido dentro da propriedade. Esta “partilha” era muita vezes objeto dos comentários do major, que se afirmava aos que o conheciam como socialista. “Ele se dizia socialista e costumava confirmar sua teoria afirmando ser o proprietário, por exemplo, das vacas, mas o leite era da comunidade”.       Como comerciante, se tornou sócio de uma agência de carros; proprietário de uma farmácia; dono de uma casa de fogos. Chegando inclusive a fazer parte da diretoria da Associação Comercial de Natal (Fundada em 2/10/1892, que teve como primeiro presidente o Sr. Fabrício Gomes Pedroza). Como político, foi um grande líder, com uma importante participação na vida partidária do Rio Grande do Norte. Entrou para a política sob a influência do Interventor DIOCLÉCIO DANTAS DUARTE (16/10/1894 – 22/12/1975), que era Secretário-Geral do Interventor Georgino Avelino (31/7/1887 – 2/4/1959), e administrou o Estado no período de 19/10 a 17/11/45. No dia 23/5/1945 ingressou no Partido Social Democrático. No 19/1/1947, foi eleito deputado estadual. Naquele ano José Augusto Varela (28/11/1896 – 14/6/1976), seu amigo, venceu as eleições para governandor, derrotando seu opositor, o dr. Floriano Cavalcanti de Albuquerque (10/12/1895 – 7/10/1973), com uma maioria de  50,028 votos.
            O primeiro projeto de Lei de Theodorico Bezerra na Assembléia Legislativa foi a criação de São José de Campestre, que se transformou  na Lei nº 146, de 23/12/1948, que criou o referido município, desmembrando do de Nova Cruz. Foi também membro da Comissão do Comércio, Indústria, Agricultura e 0bras Públicas.
            No dia 3/2/1949, assumiu o comando do PSD-Partido Social Democrático. Em 3/10/1950 foi eleito deputado federal. No ano de 1960 apoiou Aluízio Alves (Angicos, 21/8/1921) e Monsenhor Walfredo Dantas Gurgel (Caicó, 2/10/1908 – Natal, 4/11/1971) para governador e vice respectivamente, que em 3 de outubro venceram seus opositores Djalma Marinho e Jerônimo Vingt Rosado Maia. Seis anos depois, mais precisamente no dia 15 de novembro de 1966, o major Theodorico acostumado a vencer, obteve sua primeira derrota na política: não conseguiu se eleger senador da República, perdendo para o dr. Francisco Duarte Filho.
            Como político, é claro, possuía uma visão coronelística. Tudo era válido, contanto que levasse à vitória: “ameaça, suborno, pedido humilde, favores, traições, e  tudo”.
            Em sua fazenda Irapuru, recebia os visitantes com grandes festas. Possuia duas bandas, uma integrada por homens e outra composta totalmente por mulheres.
            Cera vez, recebeu uma turma de alunos e professores de uma escola do município de Natal, soltando foguetões e com desfile das duas bandas. Uma moça, ao sair do ônibus, descascava uma laranja para comer, Theodorico viu e ordenou que a estudante guardasse a laranja porque, caso contrário, não teria fome na hora do almoço. E foi servido realmente um grande banquete farto em alimento e bebidas.
            Theodorico Bezerra, inteligente e trabalhador, sabendo tirar proveito da influência que desftutava na política, conseguiu somar uma grande fortuna. Em suas fazendas chegou a produzir, às vezes, mil quilos de algodão. Possuia, ainda duas usinas de beneficiamento de algodão; três fábricas de óleo, e uma refinaria de óleo. Em Natal, dirigiu o Grande Hotel, que teve um papel de destaque durante a Segunda Guerra Mundial, considerado como o melhor da cidade. Foi dono da Rádio Trairi, atual Tropical (inaugurada em 1/9/1962, que teve como primeiro diretor, o senhor Tales Magalhães Dantas. Em 21/9/1984 passou a se chamar Tropical de Natal, de José Agripino Maia) e do Jornal do Comércio de Natal, fundado em 1/5/1926.
            “Trabalhador tem que acordar cedo, andar ligeiro e conversar pouco”. “Viver sem trabalhar é a maior maldição da vida”. As frases acima  eram uma das muitas frases na parede da casa da fazenda de Theodorico Bezerra, as quais serviam de lema para um dos homens que representaram seu tempo, um dos últimos coronéis potiguares. Ele era dono de uma personalidade forte que muitas vezes chegava a desagradar alguns, mas era também dono de uma visão progressita de futuro e de uma, apesar do que tem-se dito ao longo dos anos,  visão social à frente de seu tempo. Muitas de suas ações eram tidas como puramente políticas, quando, na verdade, não eram. Ele incorporava a questão do espírito público. É nome do Centro de Eventos do hotel Escola Barreira Roxa, em Natal.
            Um dos filhos de Theodorico Bezerra de nome Kleber de Carvalho Bezerra, em 15/11/1982, foi eleito deputado estadual, pela legenda do PFL, com 15.793 votos, e reeleito em 15/11/1986. Seu primo Lauro Gonçalves Bezerra também exerceu o mandato de deputado estadual.  Atualmente, um de seus primos: Fernando Luiz Gonçalves Bezerra (20/2/41), filho de João Bianor Bezerra e de Hermilia Gonçalves Bezerra, exerce o mandato de senador da República, além de ter exercido por vários anos a presidência da Confederação Nacional da Indústria. O pai de Fernando Bezerra também exerceu o mandato de prefeito de Santa Cruz, no período de 31/3/1953 – 31/1/1958, além desses bezerra, podemos citar ainda: Aluízio Bezerra, deputado; José Bezerra Cavalcante, prefeito de Santa Cruz, de 31/1/1969 – 31/1/1973). Dr. Jáecio Luiz Bezerra Fiúza, prefeito  nomeado em 19/9/1945.  Sua mãe, dona Ana Bezerra foi à primeira proprietária de hotel de sua terra natal denominado de “Hotel Santacruzense”, inaugurado em 1915. Ela é patrona da Maternidade dessa cidade, instalada em  4/2/1952. Theodorico é patrono de uma escola municipal na cidade de Santa Cruz, cuja homenagem foi feita com ele vivo, e o  Parque de Vaquejada da cidade de Tangará tem ele como patrono.
        Em 1978, após passar um período em Natal, o cartunista Henfil, familiarizado com algumas rotinas da capital, tomou conhecimento daquele que seria um dos “últimos dos coronéis do sertão”: theodorico Bezerra. Foi por intermédio do cartunista que, através da Rede Globo, foi filmado o documentário Major Theodorico, o Imperador do Sertão, do diretor Eduardo Coutinho.
            Henfil manteve contato com a Rede Globo de Televisão, no Rio de Janeiro, e falou sobre a descoberta daquele que seria um dos últimos remanescentes do coronelismo. A emisssora comprou a idéia e manteve contato com Theodorico para acertar os detalhes da empreitada. No filme ele relata este fato, mas o sobrinho Lauro Gonçalves Bezerra, no livro que tem o mesmo da produção, afirma que, quando indigado sobre a intenção da emissora em realizar um filme documentário sobre ele, Theodorico mostrou-se receoso com a “entrevista” afirmando que seria cara. Ao saber que todo o trabalho se daria de graça, o “major” afirmou estar de “pleno acordo”.
            O diretor Eduardo Coutinho decidiu que, mais que apresentar a rotina daquela personalidade histórica regional, deveria permitir que ela própria que contasse sua história. Assim Coutinho procedeu: o documentário é conduzido pelo próprio “Majó” Theodorico, que versa sobre suas convições, valores, regras e como é a vivência com o poder. O filme – que não fora exibido no Estado,  pois, por ser um ano eleitoral, a Lei Falcão não permitia sua exibição – mostra o “majó” em Irapuru, no Grande Hotel e percorrendo as casas de seus “empregados” destilando sua filosofia.
            Em alguns momentos do filme, devido a sua própria natureza, o “majó”  brinda o espectador com as considerações adquiridas ao longo de sua passagem pela “Universidade da Vida”. Em uma delas, chega a justificar – à sua maneira – a poligamia. Sua casa, repleta de dizeres e recomendações, complementares as palavras e ponderações daquela figura única.
            Uma sequência chama a atenção do espectador: o momento em que o “majó” promove um surreal desfile em sua prpriedade. Trajando um misto de indumentária militar – com resquícios do cangaço - Theodorico passeia com seu visual austero juntamente com os “funcionários” da fazenda.
            Além de versar sobre sua vida, o filme mostra como se dava a relação entre o “majó” e seus protegidos. Em  um momento do filme, depois de adentrar uma moradia de sua propriedade e mostrar as regras de conduta – que deveria ser seguidas por todos -, Theodorico questiona uma moradora acerca das regras e de como esta avalia a moradia em Irapuru: positivamente avaliado, o “majó” olha a câmera como alguém que reafirma sua força.
            Major Theodorico, o Imperador do Sertão, mais que um filme que retrata uma persosalidade política potiguar, é um documento indispensável aos que querem conhecer um pouco mais acerca do passado social e político do Estado. Theodorico é a sintise dos rumos tomados pela sociedade potiguar nos últimos anos e de como esta tem-se desvencilhado do modelo por ele estabelecido.
            Theodorico Bezerra quando morreu no  dia 5 de setembro de 1994, aos 81 anos de idade,  já não desfrutava do prestígio de outrora.
FONTE: LIVRO CHIQUINHO GERMANO - "A ÚLTIMA LIDERANÇA DOS ANOS 60 30 DO SERTÃO POTIGUAR" E FOTO EXTRAÍDA DO BLOG PAULO CÉSAR

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